Mostrando postagens com marcador Poema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poema. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Fernando Pessoa

Todas as cartas de amor são Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
(Álvaro de Campos, 21-10-1935)

Um beijo para vocês, que como eu, acham o Álvaro de  Campos (depois do Alberto Caeiro) o melhor heterônimo do Fernando Pessoa.

sábado, 30 de maio de 2009

Amar e não amar!

Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
Clarice Lispector

P.s.: Vale ressaltar que a leitura desse poema pode ser feita também em ordem inversa, ou seja de baixo para cima - ocorre duas interpretações distintas conforme o fluxo da leitura. :)

sábado, 16 de maio de 2009

Amor e dor.

Como dizia o poeta
Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu.
Porque a vida só se dá pra quem se deu.
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.

Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não.
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão.

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber.

De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não



Vinícius de Moraes.